TURISMO NO TERRITÓRIO PATAXÓ
BARRA VELHA DO MONTE PASCOAL: ETNODESENVOLVIMENTO, ESPACIALIDADE E POLÍTICAS

Nome: Carlos Alfredo Ferraz de Oliveira
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 10/07/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Paulo César Scarim Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Celeste Ciccarone Examinador Interno
Gisele Girardi Examinador Interno
Igor Martins Medeiros Robaina Examinador Interno
Paulo César Scarim Orientador
RENATA COPPIETERS OLIVEIRA DE CARVALHO Examinador Externo
Thiago Mota Cardoso Examinador Externo

Resumo: A visitação turística em territórios de diferentes povos indígenas ocorre já há algumas décadas no Brasil, demonstrando diversificadas experiências nas quais o Estado vêm sendo desafiado a compreender e atuar. Uma prática constituída por relações múltiplas, complexas e não restritas à relação monetária e nem à universalização de uma tipologia do turismo. Abrange as especificidades de cada povo, de seus territórios e suas relações com as lógicas do Estado e de outros agentes externos. Desde o ano de 2015, o Estado propõe a implementação de uma normativa que trata das iniciativas de visitação turística nos territórios indígenas. O povo Pataxó no seu território Barra Velha do Monte Pascoal, no extremo sul da Bahia, desde a década de 1970, vem concebendo e realizando iniciativas relacionadas à visitação turística. Iniciativas que ocorrem em suas trajetórias que entrelaçam sua territorialidade, sua política e o seu etnodesenvolvimento. Esta tese tem o objetivo geral de contribuir para compreensão e reflexão sobre as espacialidades, políticas e etnodesenvolvimentos em operação na trajetória do turismo Pataxó no território Barra Velha do Monte Pascoal, evidenciando a importância da abertura acerca dos conceitos e práticas dos povos indígenas na construção, reformulação e efetivação das políticas do Estado brasileiro. Norteado por este objetivo, realizou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa na coleta e análise de dados, ambas norteadas pelas categorias de análise (espacialidade, política e etnodesenvolvimento) e suas inter-relações com o tema da tese (turismo em territórios indígenas). Através de estudo bibliográfico e documental sobre o contexto histórico das relações entre Estado e povos indígenas, mais especificamente direcionado ao povo Pataxó, os conceitos espaciais, de políticas e de etnodesenvolvimento que desta relação emergem, e do turismo Pataxó e suas práticas no território Pataxó Barra Velha do Monte Pascoal. Este estudo atentou durante a leitura para a seleção de textos que possuíam potencial diálogo com o que era identificado no campo. A pesquisa de campo foi realizada no território Barra Velha do Monte Pascoal e seu entorno, através de entrevistas semiestruturadas com os Pataxó e agentes externos, e observação participante do turismo Pataxó. O
processo de análise dos dados iniciou simultaneamente em sua coleta, através da sistematização e descrição analítica dos textos lidos e escutados, e das práticas observadas. Foi descrita a concepção, a prática e o “planejar” do turismo Pataxó no território Barra Velha do Monte Pascoal, identificando a heterogeneidade espacial e política do povo Pataxó em sua trajetória no turismo. Observou-se que o turismo Pataxó participa e envolve uma trama de relações internas, com Estado e outros agentes externos. A normatização do turismo proposta pelo Estado, não possibilita abertura para que esta heterogeneidade, fundamental para os Pataxó, esteja presente em posição de igualdade na relação com Estado e o seu mundo, no processo de “planejar” o turismo Pataxó. Defende-se nesta tese, abertura para posição de igualdade na relação entre Estado e os Pataxó e outros povos indígenas ao tratar do tema. A prática e o “planejar” Pataxó do turismo compreendido em suas especificidades e em um processo de relação “local-global”.

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