PERDAS DE SOLO POR EROSÃO HÍDRICA E IMPACTOS DA
EVOLUÇÃO DA PAISAGEM NA BACIA DO CÓRREGO DO MURILO,

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-ES

Nome: LUCIANO MELO COUTINHO

Data de publicação: 27/03/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ADELSOM SOARES FILHO Examinador Externo
ANDRE LUIZ NASCENTES COELHO Examinador Interno
EBERVAL MARCHIORO Presidente
MARISTELA DENISE MORESCO MEZZOMO Examinador Externo
ROBERTO AVELINO CECILIO Examinador Interno

Resumo: A erosão hídrica é um processo hidrogeomorfológico ocasionado pela ação das águas pluviais
e superficiais nas encostas, o qual envolve o processo de desprendimento, arraste e deposição
de partículas de solo, contribuindo para a morfodinâmica da paisagem. Este processo é
potencializado pelas intervenções antropogênicas sobre o meio natural, resultando na erosão
hídrica acelerada, corroborando para o acréscimo de perda de solo em distintas paisagens
hidrogeomorfológicas. Em função disto, este estudo foi realizado na Bacia Hidrográfica do
Córrego do Murilo (BHCM), localizada no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), com
o objetivo de avaliar a evolução espaço-temporal das perdas de solo entre os anos de 1970 e
2020, identificar os fatores que contribuem para as perdas de solo e localizar os hotspots
erosion (>200 ton/ha/ano). Assim, devido aos impactos e prejuízos ocasionados pela erosão
hídrica, foram desenvolvidos modelos matemáticos para mensuração, predição e identificação
de tendências de comportamento erosivo em encostas, parcelas agrícolas e em bacias
hidrográficas. Entre os modelos empíricos de erosão hídrica destaca-se a Revised Universal
Soil Loss Equation (RUSLE), amplamente aplicada para avaliar a evolução das perdas de solo
(PS) em diferentes escalas espaço-temporal. Os valores de perdas de solo são obtidos neste
modelo pela multiplicação dos fatores geográficos resultantes da erosão hídrica (PS =
R*K*L*S*C*P) e fornecida em unidades de t.ha-1
ano
-1
. Foi realizado o tratamento de dados
de mapeamento em ambiente computacional pelo uso de Sistema de Informação Geográfica
(SIG), o que permitiu representar e multiplicar por álgebra de mapas os fatores da RUSLE
para o estudo de perdas de solo da área, sendo: (i) a erosividade da chuva R obtida a partir de
séries históricas de precipitação de 100 anos; (ii) a erodibilidade do solo K oriundo de
experimentos por consulta a literatura; (iii) o comprimento de rampa L e a declividade do
relevo S obtidos a partir de tratamento de dados de altimetria e hidrografia para geração de um
Modelo Digital do Terreno Hidrologicamente Consistente (MDTHC); e (iv) atributos de uso e
cobertura da terra C e de práticas conservacionistas P da literatura. Fatores adversos que
influenciam a erosão hídrica são verificados nesta bacia, a exemplo de infraestruturas de
transporte e recorrências de incêndios florestais, o que motivou as adaptações da modelagem
RUSLE para verificação de impactos da evolução temporal do uso e cobertura da terra. Os
resultados identificaram perdas de solo pela simulação do Potencial na Natural de Erosão
(PNE) no melhor cenário de total cobertura por floresta nativa (16.616,28 ton/ano) e para os
anos de 1970 (109.591,93 ton/ano) e 2020 (113.982,77 ton/ano). Este trabalho verificou que
as intervenções antrópicas influenciaram o comportamento da erosão hídrica desta bacia,
resultando em um aumento de 4.390,84 ton/ano de perdas de solo no período analisado. Nas
cabeceiras as perdas de solo são amenizadas pelos remanescentes de floresta nativa, enquanto
as partes baixas e planas favorecem a ocupação humana (agropecuária, edificações e
infraestruturas de transportes) e as recorrências de incêndios florestais que potencializam a
erosão hídrica. A BHCM apresentou aumento de perdas críticas de solo (>200 ton/ha/ano)
entre os anos modelados, aprofundada pelas intervenções humanas e pelos efeitos dos
incêndios florestais, sendo considerados trechos de hotspots erosion.

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